segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

filtro dos sonhos

banham meus pés espumas prateadas
(descomunal energia, delicadas lambidas de amor e perdão)

mãe colossal de todas as mães
embebe o ouro milenar
(pura entrega, fosca e reluzente),
embebe meus poros
minha pele aberta, meus cabelos
cobre-me de água e sal
(lava-me os olhos e os sonhos).

traz-me amantes com cheiro de mar
sopra
até brotarem as forças dos meus movimentos.
lava profundo isto que sinto
e canta
cantigas de marinheiros
cantares de avó.

e mergulho com devoção (nos cristais infinitos
ocultos sob as ondas embriagantes - limite entre mundos)

traz-me amantes
pro fundo do mangue
(profundos silêncios,
entregas sutis,
estalos, feitiços, lama, doçura)
berço verde
que sol e lua
abraçam, esquentam, escondem-revelam.

e as ondas de açúcar
mistérios resvalam
(trazendo cantos de esquecimentos doídos
de amores passados
naufrágios
engasgos)


sou casco, estrela, areia, coral
um resto mortal
reluzente
e só.
sou lama, sou água,
sou rio
sou pó.

dona de nada, senhora de tudo
um traço bruto
que o vento e a água constroem por fé.

inês.
(a vida é tão rara!)

Um comentário:

  1. Inês, também és rara.
    Porque não é habitual ver poesia na blogosfera tão boa como a tua.
    Este poema é excelente. Adorei, pois claro.
    Beijho, querida amiga.

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