segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

rosário

Dona aranha tece teias invisíveis, longas como míticas teias do tempo, e que dançam como as asas peroladas de um Dervishe.
Notas de piano são gotas.
Dona Inês dança no ar, submersa num sonho de luzes e névoas, e as teias todas da vida lambem seu corpo, dançando como longos cabelos de fios de cetim.
Notas de violão são pérolas.
Dona Leopoldina canta com a maciez de uma cera quente só que morna escorrendo numa pele molhada, e a sua voz parece um passarinho voando por outros poemas, e o seu canto parece um conto sobre dias do passado reverenciados por sua mágica dolorida e cintilante.
Notas que cintilam... Notas são lugares.
Dona Inês delira entre gotas e pérolas, luzes e cetim, e a baranguice do seu próprio canto que expolode violentamente perfurando o ar transforma-se numa balada russa, açucarada e tirana.
Nesta noite os anjos virulentos que beijam meu corpo me prendem neste sonho em que notas são asas e melodias pinceladas impetuosamente em telas brancas.
As notas me atravessam como névoa a poros. As cores me atravessam. As pinceladas. Os anjos.
Atravessada por lugares, danço etérea com roupas de Dervishe sobre grandes asas de cetim.
Dona aranha dança...
Leopoldina tece...
Eu canto.

Inês.

Um comentário:

Minha lista de blogs