domingo, 6 de março de 2011

estação infinita da lama com brocal

há carnes deliciosas excitando baterias ensurdecedoras no meu corpo
(na cama que escolherei?)
e crianças musicais transformando latinhas em futebol.

e bêbados,
como há sempre
e guardas.

(há becos
protegidos pela guarda municipal
e isolamentos da rede globo e da polícia.)

há cachaça boa
lá da região de salinas
há pó.
e sonhos e lantejoulas e sapatilhas.

há, como sempre, humildade e brodagem além dos racismos
além de muito suor e sereno.
há a vibração da mãe áfrica
a libertação de todos os gozos ancestrais.

mas aqui nada tão negro tão forte tão brilhante tão fluido tão comovente e vibrante quanto o carnaval do meu tão longe recife enchendo os mangues as ruas as casas as portas os olhos
os corpos dos que se entregam aos deuses do amor e da guerra

(e abandonam suas almas
entre a boiada lírica da quarta feira de cinzas na rua da boa hora).

inês.

3 comentários:

  1. Nao sabia como era o carnaval em recife. Agora eu sei...

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  2. ô coisa boa, e gostosa de ler . Imaginando esse carnaval e vivendo enquanto leio

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